12 Horas

“12 Horas”- “Gone”, Estados Unidos 2012

Direção: Heitor Dahlia

Tudo começou naquela floresta de verdes e sombras por onde anda agora uma garota. Logo vamos ficar sabendo sobre isso.

Mas o que ela procura? Por que toca apreensiva o musgo que cresce no chão e nas pedras?

Ela segue pela margem de cascalhos de um pequeno rio até uma área abandonada de piquenique. Senta-se, abre um mapa e sinaliza uma região da Parker Forest.

A música instrumental (trilha sonora de David Buckley) preenche a sala de cinema e ouve-se como que um resfolegar baixo e sombrio. Ela olha assustada para os lados. Alguém segue aquela mocinha?

A câmara sobe e vemos que ela dirige seu carro por uma estrada ladeada por uma floresta de pinheiros. O dia finda. Já está começando a noite.

Escuro, sombrio e perigoso. Esse clima que se sente nas imagens da tela está na mente da moça ou é a realidade?

A bela Amanda Seyfried faz Jill, longos cabelos louros e olhos azuis assustados.

Descobrimos que ela foi sequestrada há menos de dois anos por um homem perigoso. E conseguiu escapar por pouco. Mas Jill acredita que ele continua agindo e que outras garotas não terão a mesma sorte.

A policia está descrente. Afinal Jill já foi internada num sanatório, toma remédios e nunca, nenhuma evidência foi encontrada sobre a história que ela conta sobre o sequestrador e o buraco na floresta.

Mas quando sua irmã desaparece (o “Gone” do titulo original), Jill vai viver doze horas perseguindo o “serial killer” que ela crê que levou Molly (Emily Wickersham) por vingança, porque ela sobreviveu ao sequestro. Só ela acha que vai conseguir encontrá-lo. Cenas em “flash- back” mostram Jill sendo amordaçada, no fundo do buraco… Delírio ou realidade? Esse é o gancho do roteiro que poderia ter sido melhor explorado.

O cineasta Heitor Dhalia é brasileiro e dono de dois filmes que agradaram à crítica, “O Cheiro de Ralo” com Selton Melo e “À Deriva”, uma tocante história sobre a adolescência, na qual atua o francês Vincent Cassel.

Mas parece, pelas entrevistas que deu aqui no Brasil, que Dhalia não ficou satisfeito com sua estréia em Hollywood com o filme “12 Horas”. Reclamou que o produtor não o deixou um minuto a sós com a atriz e que o filme é um produto do estúdio, que fez um suspense comercial.

“- Não consigo imaginar uma situação mais hostil de trabalho. Mas tudo que não mata, fortalece. Serviu para eu perder a inocência. “

Torcemos por ele, que, afinal, conseguiu dirigir Amanda Seyfried com talento. A atriz consegue passar o clima de suspense nos “closes” em seu rosto expressivo. E há belas tomadas noturnas, com luzes manchando a tela nas cenas de chuva.

Heitor Dhalia ainda vai fazer muita gente ir ao cinema para admirar seu trabalho.

Em “12 Horas” temos um filme que chega a prender a nossa atenção, com um final meio abrupto. Mas diverte. O que não é pouca coisa.

Este post tem 10 Comentários

  1. Que texto impecável. Tem ritmo e me lembrou qdo q gente ia comprar tecido em loja e o balconista colocava a peça na bancada e ela ia se desenrolando suavemente até o chão. Lembra disso, Eleonora?

  2. Mira Baeta disse:

    Eleonora… conheci seu site há tão pouco e não consigo mais sair daqui… Queria ter tempo pra ver todos os filmes, voltar aqui correndo e conversar sobre com você, com seus leitores…
    Que presente pra nós, “filmólatras”!! Agora não consigo mais ver um filmezinho sequer sem (antes ou depois) querer saber o que você achou.
    E suas fotos, que lindas!!! Obrigada, obrigada, obrigada!!!
    Um beijo com muito carinho!
    Mira

    P.S. Procurei “Estômago” por aqui, não achei… Você viu? Talvez não seja assim tããããoo merecedor de um artigo seu, mas, especialmente se você gostar de gastronomia também, veja. É, digamos assim, um prato cheio. E ainda tem disponível na net o livro com as receitas do filme pra gente baixar.
    Mais beijo!

    • Eleonora Rosset disse:

      Mira querida,
      Que delicia de leitora! Vi sim “Estomago” mas faz tempo. O blog ainda não existia. E eu só escrevo sb filmes em cartaz. Mas quem sabe a gente muda tudo um dia?
      Foi mt bom ler vc!
      Volte logo!
      Bjs

  3. Carla Santoro Rosset disse:

    Eleonora ,
    O blog está demais ! O conteúdo e o visual.
    Parabéns !
    Bjs
    Carla

  4. Luciane disse:

    olá boa noite !!!….mais uma vez seus comentáros com relação ao filme foram fantásticos…estava com receio de assistir, pensei que fosse de terror..rsrsr…mas adorei,realmente impecável..concordo com o pessoal que escreveu la em cima, suas fotos são muito lindas tbem !!!….deixo aqui a dica de um que assiti hj chama-se “The Lady”..de Luc Besson..sobre a Birmãnia e seus severos conflitos.. é uma história de amor sobre como um extraordinário casal e sua família sacrificaram a sua felicidade, com grande custo humano, a uma nobre causa…a história de Aung San Suu Kyi ganhadora do nobel da paz…apenas lamentavel saber que hj em dia continua a mesma coisa…mas vale ver é um filme e tanto, e quero ver sua analise sobre ele…sei que será fantástica…bjosssss Lu, de Curitiba

    • Eleonora Rosset disse:

      Luciane querida,
      Gostozinho o “12 Horas”, né?
      Esse outro que vc fala, do Luc Brssom, já vi o trailler no cinema. Deve entrar logo e vou assistir correndo. E escrevo aqui, claro!
      Bom ter noticias de Curitiba. Eu estou em New York, aproveitando o feriado e vendo tudo que posso!
      Bjs

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