Paz, Amor e Muito Mais

“Paz, Amor e Muito Mais”- “Peace, Love & Misunderstandings”, Estados Unidos, 2017

Direção: Bruce Beresford

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Jane Fonda já foi a sexy Barbarella em 1968, quando estava casada com Roger Vadim na França (1965-1973), também foi a “Hanoi Jane”, ativista contra a guerra do Vietnã, ganhou dois Oscars de melhor atriz, em 1972 por “Klute” e em 1979 por “Coming Home – Amargo Regresso”, três Globos de Ouro por esses dois filmes citados e outro ainda por “Julia” em 1978 e no último Festival de Veneza levou um Leão de Ouro, como prêmio por sua carreira. Sem falar das inúmeras indicações ao Oscar.

Sua história no cinema, que começou em 1960, está em plena atividade, tendo atuado em 2015 no filme “A Juventude” de Paolo Sorrentino, numa ponta muito comentada, fazendo uma atriz decadente, que fez ela ganhar mais um Globo de Ouro. Na Netflix, “Our Souls at Night – Nossas Noites” de 2017, marca um enorme sucesso, fazendo par com Robert Redford.

A atriz, em ótima forma, completa 80 anos hoje, dia 21 de dezembro e por isso, coloco no meu blog o filme “Paz, Amor e Muito Mais” de 2011 que está passando na Netflix. Ela faz uma avó hippie que mora em Woodstock e tem uma plantação ilegal de maconha no porão.

Não é um grande filme mas ver Jane Fonda de cabelos grisalhos e longos, saias coloridas e um sorriso de felicidade no meio de suas galinhas, cartazes para as manifestações pacifistas na praça da cidadezinha e conhecendo seus netos que não via desde que nasceram, é um prazer.

Grace, a avó hippie, também não vê a filha desde que ela se casou há 20 anos atrás e flagrou a mãe vendendo baseados no seu casamento.

Agora, Diane (Catherine Keener), divorciada, vai ser gentilmente empurrada para tirar o terninho de advogada bem sucedida e deixar rolar a parte afetiva que ela trancou durante muito tempo.

Os netos terão que ser estimulados pela avó a vencer barreiras para poder se entregar a primeiros amores. E tudo acontece com aprovação da avó amorosa e divertida que estimula os jovens a se libertar e fazer o que o coração manda.

Jane parece se divertir fazendo essa avó de Woodstock que adora “desencaminhar” os netos e a filha tão exageradamente politicamente corretos.

O diretor também parece se divertir acompanhando Jane Fonda, a filha, a neta (Elizabeth Olsen) e o neto (Nat Wolff) e seus romances. Porque como já cantavam os Beatles: “Ally you need is love!”

Vamos celebrar os 80 anos de Jane Fonda e desejar uma bela continuação de carreira porque não podemos passar sem ela!

 

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Professor Marston e as Mulheres Maravilha

“Professor Marston e as Mulheres Maravilha”- “Professor Marston and The "Woner Women", Estados Unidos, 2017

Direção: Angela Robinson

“Mulher Maravilha”, dirigido por Patty Jenkins, foi um dos maiores sucessos de bilheteria e crítica desse ano. Estrelado pela atriz israelense, a bela Gal Gadot, agradou em cheio as plateias.

Sabíamos que a personagem tinha sido criada em 1941 pelo psicólogo Dr William Moulton Marston mas ninguém contou a incrível história da vida real que inspirou a criação de Diana Prince, a princesa das Amazonas e seu Laço da Verdade.

Pois bem. Tudo começa com o professor Marston (Luke Evans), psicólogo de Harvard, dando aulas para alunas em Radcliffe College em 1928. Casado com Elizabeth (a maravilhosa Rebecca Hall), os dois trabalhavam juntos no projeto de um detector de mentiras. Injustamente, Elizabeth, que havia cumprido todos os passos para receber um Ph.D. de Harvard, fora recusada pelo fato de ser mulher. Ora, o marido admirava Elizabeth e achava que ela era mais inteligente que ele.

Na verdade, o casal tinha ideias avançadas para o seu tempo. Acreditavam na igualdade entre homens e mulheres e no amor livre. E estávamos nas primeiras décadas do século XX.

Quando a aluna Olive Byrne (Bella Heathcote) mostra desejo de ser assistente do casal, começou uma história de amor duradoura que foi motivo de escândalo e demissão do professor Marston de seu cargo em Radcliffe.

Ora, Olive Byrne, filha da feminista Ethel Byrne, fora educada em um internato, longe da mãe que era ativista e dizia não ter tempo para cuidar dela. Carente e bela, apaixona-se pelo casal, mas mais especificamente, por Elizabeth. E é correspondida.

Será a convivência com essas duas mulheres especiais e brilhantes que vai gerar a personagem Mulher Maravilha.

Diferente em alguns aspectos da atual, que tem um caráter ingênuo, as duas tem em comum o fato de serem poderosas. Mas a primeira era também sensual e em suas aventuras, havia um conteúdo explícito de sadomasoquismo. Longe da politicamente correta e discreta Diana Prince atual, com seu Laço da Verdade, um detector de mentiras, a dos anos 40 era sexy e usava cordas e correntes para castigar os malfeitores, que, por sua vez, também aderiam a jogos eróticos com ela.

Por isso, o professor Marston teve que defender sua personagem perante uma comissão de educação que achava as histórias impróprias para crianças. O criador da Mulher Maravilha defendeu sua criação com brilho e explicou que garotos jovens tinham que aprender a respeitar mulheres poderosas.

Depois da morte de Marston em 1947, todo o conteúdo sensual foi retirado das histórias da personagem.

O filme trata com recato e delicadeza da relação a três, com uma belíssima fotografia em tons dourados e contraluz e também não mostra cenas que poderiam escandalizar plateias mais conservadoras. Mas é fato que o filme não teve grande publicidade e foi lançado sem alarde nos Estados Unidos e também por aqui, apesar das críticas favoráveis.

Infelizmente, há sempre um tanto de conservadorismo nas pessoas que gostam de censurar a sexualidade alheia, mesmo que ela seja uma heroína de histórias em quadrinhos.

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