Bad Boy

“Bad Boy”- Idem, Israel, 2023

Direção: Hagar Ben-Asher

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Se você quer ver um filme diferente que se preocupa mais com a sobrevivência emocional e não com religião ou ideologias, esse “Bad Boy” é para você. Antes de qualquer outra coisa, fala sobre o ser humano e seus conflitos internos que extravasam em ações na realidade externa. Depressão vira selvageria numa prisão para jovens judeus e árabes.

O filme começa com um stand-up no palco e risadas na plateia. Ali, Dean conta sua vida com um humor sarcástico. E tudo começou 20 anos atrás, quando ele era um garoto e discute com a mãe porque não quer tomar Ritalina :

“- Se eu ficar viciado quem vai tomar conta de você?”

A mãe se preocupa com o filho mas sente-se impotente para cuidar dele. Mas não o abandona.

E ela tem razão porque, sem mais aquela, a polícia invade a casa de Dean, com um mandato de busca e apreensão de drogas. E ele vai arrastado preso, gritando que não fez nada, que não tem culpa de  nada, que não foi ele.

Vai parar no reformatório onde vai passar 4 bons anos. Sua necessidade de afeto, proteção, de um amigo e  principalmente de um pai, ficam claros para a plateia e o nosso coração se aperta. Ele é tão pequeno, tão franzino, parece indefeso.

Dean vai enfrentar o mundo da prisão com outros iguais a ele. São todos jovens e se odeiam, judeus e árabes que não se misturam. Tréguas acontecem de vez em quando.

E Dean se dá uma chance de se aproximar daquele que ninguém queria por perto, transformado no pai que Dean nunca teve. Entre punhais e sangue o micro mundo daquela prisão ensina muita coisa para quem não conhecia bem o mundo.

Emocionante, intenso, o filme é repleto de mágoas e por isso é tocante. O caminho da reparação existe quando os enganos são compreendidos.

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O Domingo das Mães

“O Domingo das Mães”- “Mothering Sunday”, Inglaterra, 2021

Direção: Eva Husson

Inglaterra, 1924, a guerra acabara, mas muitos rapazes não voltaram. E são lembrados no dia das Mães no silêncio das mulheres que perderam seus filhos. A maternidade e o luto são difíceis de aceitar na história de vida de qualquer mulher.

Assim começa a narrativa da história de Jane Fairchild (Odessa Young), jovem arrumadeira da família Niven, que vivia numa imponente mansão. Cada close em objetos pessoais ou da decoração da casa mostram a sofisticação daquele casal (Colin Firth e Olivia Colman, dois atores Oscarizados).

Salões amplos convidam para o conforto de móveis de madeira lustrosa, tapeçarias e sedas preciosas. Na biblioteca, livros encadernados e protegidos nas vitrines, esperam por leitores. Ali, nada é demais. Tudo tem seu lugar certo. Há uma minúcia e precisão nos detalhes, desde a roupa das arrumadeiras aos vestidos e joias da dona da casa.

E ela está triste, apática, carrega um luto. Não diz uma palavra sequer mas segue o marido. É a comemoração do noivado dos filhos de dois casais na mesa do piquenique à beira do rio.

A noiva (Emma D’Arcy) se irrita com a demora do noivo (Josh O’Connor), que ela não sabe, mas  está na cama com Jane. É feriado e a casa está vazia. Ele quer aproveitar essa oportunidade para uma espécie de despedida de Jane. Afinal, classes sociais não se misturam. Não há futuro para essa relação.

E Jane o vê partir com desapontamento. Tem uma reação que combina com seu estado de espirito. Anda nua pela casa que não tem nada para ela a não ser um sanduiche na cozinha.

E um acontecimento trágico interrompe a vida naquele domingo. Outra vida espera por Jane.

Anos mais tarde a vemos madura e apaixonada. E o destino interrompe mais uma vez, cruelmente, a vida de Jane.

Mais anos se passam e ela, escritora premiada, mais de uma vez, abre apenas a janela de sua casa, para dispensar a imprensa. Glenda Jackson faz a Jane de cabelos brancos, que passa a imagem de uma mulher dona de seu nariz, livre.

Um bom filme para refletir sobre a passagem do tempo e as escolhas que fazemos durante a nossa vida, sempre curta, por mais longa que seja.

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