A Incrível História de Adaline

“A Incrível História de Adaline”- “The Age of Adaline”, Estados Unidos, 2015

Direção: Lee Toland Krieger

Na história da humanidade, quem primeiro conseguiu a imortalidade foram os deuses. No Olimpo grego, parece que se aborreciam tanto com a monotonia de suas vidas eternas, que começaram a descer de lá para compartilhar amores e conflitos com os mortais.

No século XIX, Oscar Wilde imaginou um homem que só envelhecia em seu retrato.

O fato é que a imortalidade é um sonho ligado à estética da eterna juventude mas também à nossa frustração com nossas vidas paralelas, imaginadas e nunca acontecidas, porque temos a desculpa de não as termos vivido já que o nosso tempo de vida é curto.
Para Adaline, entretanto, o fato dela não mudar nunca de aparência, ter eternos 30 anos, depois de um acidente que aconteceu com ela, não foi buscado. Ela nem se dá  conta imediatamente do fato.

Seu marido morre e ela consegue viver bem com a filha até os 45 anos, sempre cercada de elogios e feições surpresas quando descobrem sua idade:

“- Sua filha? Mas parece sua irmã! Qual o seu segredo? Que cremes você usa?”

Blake Lively constrói sua personagem com leveza e logo nos divertimos com ela e as caras espantadas das pessoas ao admirar sua aparência.

Mas isso até ela chamar a atenção de investigadores (FBI?) que querem estudar o fenômeno e fazer experimentos com ela. Na verdade, nem ela mesma compreende o que aconteceu, mas teme o que pode vir a acontecer como cobaia do governo.

É sua primeira fuga e mudança de identidade. Mas, a cada década, ela compra um novo cãozinho de companhia, igual ao anterior que morreu de velhice ou foi posto para dormir porque ficou doente demais e muda de cidade.

E, tirando a filha que vai envelhecendo longe dela, com encontros escondidos com Adaline, ninguém sabe a verdade sobre ela.

Adaline está condenada a uma vida vazia, sem amigos íntimos, com poucos relacionamentos e sempre superficiais e, apesar de falar quatro línguas e ter testemunhado toda a história do século XX, ter lido muitos livros e viajado pelo mundo, ela começa a sentir falta de proximidade, intimidade, um amor.

Em sua primeira parte, o filme mostra cenas rápidas para a compreensão da história e uma narrativa em “off”, que tenta explicar o acidente mas que soa estranha e dispensável.

Nascida em 1907, é só em 2014 que ela conhece um homem que mexe realmente com ela. E começa a segunda parte do filme.

O roteiro de J. Mills Goodloe e Salvador Pascowitz é bem bolado mas raso no trato com a imortalidade.

O visual do filme é bonito, Adaline usa figurinos elegantes e bem escolhidos e o par Blake Lively e o holandês Michiel Huisman convence com uma boa química. Mas a atuação de Harrison Ford, como o pai do namorado e Ellen Burstyn como a filha de Adaline é o que levanta o filme.

“A Incrível História de Adaline” é um filme gostoso de se ver quando não se tem grandes expectativas. É um passatempo bem feito.

Este post tem 1 Comentários

  1. maria das Mercês soares Andrade disse:

    DESLUMBRANTE. Realmente cinema é a arte das artes.

    Delicado, comovente e científico. O debate entre a Filosofia e a Ciência é maravilhoso. Além lógico das interpretações dos atores e a química entre eles.

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