Anora
“Anora”- “Anora”, Estados Unidos, 2024
Direção: Sean Baker
Risos e choros. “Anora” comove e também faz rir. É a história de uma Cinderela? Assim pensamos que poderia ser. Mas a vida nunca tratou bem dela.
Todo dia, vestida de uma maneira sexy, lá vai ela para o bar onde é dançarina de “pole dance”. Mas também faz programas no andar de cima, com homens os mais diversos.
Anora não gosta de seu nome. Ela quer ser outra, Anni. Um sintoma de que algo está errado, apesar de parecer muito segura e dona de si. Usa um mecanismo de defesa de negação da realidade para se defender e não mostrar fragilidade.
Quando conhece Ivan (Mark Eydelshteyn), um garoto russo super sem juízo e mais enlouquecido ainda por tanta droga que ele encara, está consumado o que vai vir.
O grupo com quem eles andam só quer saber de festas onde acontece de tudo e brigas entre eles. Socos e palavrões. Todo mundo fala aos gritos e ao mesmo tempo.
Mas não. Não era para ser assim. E ela luta pelo amor que ela pensava estar vivendo. Fisicamente até.
E quando tudo termina, finalmente, Anora pode chorar num abraço inesperado e assim, começar a aceitar-se com sua fragilidade e carência.
Mikey Madison é uma atriz brilhante. Fala com os olhos. Mostra como sua Anora vive de sentimentos falsos e como isso dói.
Sean Baker, 53 anos, diretor e roteirista, capta seus excelentes atores com maestria. A câmara voa e acompanha o que acontece nas ruidosas baladas. Seus closes conversam com a plateia.
“Anora” foi indicado para o Oscar e vem com a Palma de Ouro francesa na mão, além dos Bafta, do “Critics Choise Award”, do prêmio do Sindicato dos produtores americanos e do “British Independent Film Award”.
E entra na disputa ao Oscar com coragem.