Camille Claudel 1915

“Camille Claudel 1915”- Idem França 2013

Direção: Bruno Dumont

Juliette Binoche é uma estrela. Daí a possibilidade de filmar com todos os diretores de cinema que ela admira. Dessa vez foi Bruno Dumont, que fez dela Camille Claudel (1864-1943), na época em que já estava internada no hospício, onde ficou dos 49 aos 79 anos, quando morreu.

Não foi fácil para ela. Bruno Dumont é um diretor exigente e original. Para compor a personagem, Binoche não tinha nada além das cartas que Claudel trocou com Auguste Rodin, de quem tornou-se amante aos 20 anos.

O romance teve um final deplorável. Camille fez um aborto, Rodin não se separou da mulher, houve um escândalo e a artista, que também era escultora, destruiu obras do amante. Dizem alguns que Rodin se aproveitou do talento dela para que suas obras fossem finalizadas. Outros ainda vão mais longe e dizem que era ela quem na verdade fazia muitas das obras que ele assinava. Ninguém jamais saberá a verdade.

Essa história foi contada no cinema pelo filme “Camille Claudel” interpretada por Isabelle Adjani em 1988, dirigida por Bruno Nuytten.

Diz Juliette Binoche sobre a loucura de Camille Claudel:

“O homem que ela mais amou na vida virou seu maior inimigo. A crise de paranoia dela foi gerada pela solidão, pela pobreza e pela traição que sofreu.”

Como cenário para o seu filme, Bruno Dumont escolheu um hospício verdadeiro, onde Juliette Binoche conviveu com pessoas internadas que sofriam de diversos distúrbios mentais.

Foi difícil mas a experiência além de “visceral” como ela a descreve, foi um presente para o seu público. Porque a atriz encarna Camille Claudel com um talento e sensibilidade raros.

É extraordinário vê-la fazer dois grandes monólogos, onde alterna lucidez e delírios sobre Rodin tê-la envenenado e poder continuar a fazê-lo e uma fragilidade extrema estampada em seu rosto muito pálido, com olhos que escurecem para olhar dentro de si mesma e escapar ao horror da convivência com os gritos, choros e expressões daquelas pessoas ao seu redor.

“Um filme como esse esvazia o ator,” disse ela.

Porque exige uma entrega total, a ponto da própria Binoche pedir que fosse assistida durante toda a filmagem, com medo de enlouquecer como sua personagem.

Foi escolhido o ano de1915 para o filme porque foi quando o irmão de Camille, o escritor católico famoso, Paul Claudel, vai visitá-la no hospício.

A expectativa de liberdade se desmorona para Camille ao encontrar no irmão um muro intransponível. Ela perde toda e qualquer esperança de sair dali e se entrega a uma aceitação de seu destino, magistralmente sugerida por Binoche na cena final.

Um filme difícil de assistir mas, também recompensador, porque raras vezes veremos outra interpretação da qualidade da Camille Claudel de Juliette Binoche.

Uma atriz excepcional.

Este post tem 8 Comentários

  1. Lauro miguel disse:

    Bom dia, sua cobertura de Cannes estava ótima!!

  2. Regina disse:

    Gosto muito de ler seus comentários…vc consegue chegar a nossa alma e nos faz sentir cada dia mais, a qualidade e a
    sabedoria que poucas pessoas conseguem ver em filmes pouco divulgados…Parabéns!

    • Eleonora Rosset disse:

      Regina querida,
      Obrigada por suas palavras carinhosas!Eu sp digo que faço o meu blog com o amor ao cinema que tenho desde criança. E escrever sobre um filme que eu gostei é como revê-lo e apreciá-lo ainda mais!
      Bjs

  3. Sonia Clara Ghivelder disse:

    OLá Eleonora,
    Ando sumida da sua página e nem por isso me esqueci desse prazer que tenho vez por outra de dar uma passada por aqui.
    Até o momento, não assisti nem “Claudel” nem o filme do Robert Redford. Mas faço questão de voltar para comentar esses dois filmes que parecem ser muitos bons.
    Um beijo pra voce e best!
    Sonia Clara

    • Eleonora Rosset disse:

      Sonia Clara querida,
      Gostoso ler vc de novo! A vida é corrida mesmo e não temos tempo para tudo… Mas essa passagem me fala do seu carinho comigo!
      O filme da Juliette Binoche eu vi no Festival Varilux e não creio que passe no cinema. Uma pena… Ela está no melhor de sua afinação com essa personagem injustiçada.
      Qto ao do Redford, vc precisa ir só pra ver como quem tem brilho próprio nunca perde o jeito de encantar.
      Bjs

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