Operação Presente

“Operação Presente” – “Arthur Christmas”, Estados Unidos, Inglaterra, 2011

Direção: Sarah Smith

Oferecimento Arezzo

Dentro de todos nós, existe uma criança que gosta do Natal. Se formos bons meninos e meninas, reza a tradição, nosso pedido em carta a Papai Noel, será atendido. No dia seguinte à ceia, para nossa grande alegria, um presente esperado estará embaixo da árvore cintilante.

Em meio a toda essa mesmice, seria difícil aparecer alguém com idéias novas. Pois aconteceu. O desenho animado “Operação Presente”, dirigido e roteirizado por Sarah Smith, faz crianças e adultos rirem, deslumbrados, com uma história nova que brinca
com a existência de uma família Noel, que a cada 70 natais, substitue o Papai Noel por seu herdeiro.

Essa animação original, feita com computação gráfica, veio do estúdio inglês Aardman, que já nos fez rir e pensar com “A Fuga das Galinhas”.

Uma pergunta cabível é levantada: como é que o Papai Noel consegue entregar os presentes de todas as crianças do mundo todo em uma só noite?

Difícil, né? Com aquele velho trenó, as renas, o mundo todo com milhões e milhões de crianças esperando o seu presente…

Mas Papai Noel não é mais aquele. Agora, tem uma nave espacial que tem mais de 2 km de largura e 3 de comprimento, com capacidade para levar mais de um milhão de elfos que fazem o trabalho braçal de entregar os presentes para seus respectivos donos.

A tecnologia natalina tem sua base no Polo Norte e é orquestrada pelo filho mais velho de Noel, o Comandante Steve que, de roupa camuflada, dirige a “Operação Presente”. E aspira ao posto de Papai Noel.

Tudo estaria muito bem se… E acontece o inimaginável. Com toda essa coisa nova de computadores e nave espacial, uma criança foi esquecida. E não receberá o seu presente, deixando assim de acreditar no Papai Noel.

Ninguém está muito preocupado no Polo Norte. Afinal, uma criança em bilhões… Mas Arthur, o encarregado da sessão de cartas, o atrapalhado mas sensível filho caçula de Noel, está arrasado. Porque ninguém pode deixar de acreditar no pai dele, um homem tão bom, que não era o responsável pelo esquecimento fatal.

Ele e Vovô Noel, um impagável velhinho que não se conforma em ser deixado de lado pelas modernidades do filho, vão ressuscitar o velho trenó e as renas e, movidos a pó mágico de aurora boreal, voam para tentar resolver o problema da criança esquecida.

Além das brincadeiras e risadas, a telona mostra cenas belíssimas, muito bem boladas, tanto da nave espacial vermelha quanto do velho trenó passando pelos icebergs, pela lua cheia, gravitando em torno da Terra azul ou no mar com baleias e golfinhos nadando junto às renas com seus guizos dourados.

Por tudo isso, recomendo “Operação Presente” para aqueles que acreditam que a magia do Natal é eterna mas que deve ser sempre renovada.

Amanhecer – Parte Um

“Amanhecer – Parte Um“ – “Breaking Down – Part I“, EUA, 2011

Direção: Bill Condom

 

Não é de hoje que as mocinhas gostam de vampiros. Lembram-se dos filmes antigos? Por que será que elas deixavam as janelas abertas quando sabiam que ele rondava? Por que não usavam cruzes e alho em volta do pescoço mas, prazeirosamente, desprezavam essas armas e esperavam ávidas pela primeira mordida?

Bella (Kristen Stewart) se encantou por Edward (Robert Pattison) como faziam as mocinhas do cinema de antigamente. Vampiros são “sexy”.

Mas ela pode até querer ser “a noiva do vampiro”. Ele hesita. Não a quer vampira. Porque isso significaria que Bella tem que morrer ou porque ficaria igual a ele? Poderosa?

Os livros de Stephanie Meyer fizeram tanto sucesso quanto os filmes inspirados na saga que ela escreveu. Venderam mais de 120 milhões de cópias no mundo inteiro.

Como se explica esse fenômeno?

Claro que é porque esses livros e filmes tratam de um assunto que os adolescentes, tanto meninas quanto meninos, querem ler.

Contam a história de um amor complicado, com impecilhos, dúvidas, tanto da heroína que ora se inclina por Edward ora por Jacob, quanto do herói que foge dela e volta, com medo da atração fatal por Bella.

Isso sempre fez sucesso com todas as gerações de adolescentes que viveram na nossa cultura porque é nessa época de nossa vida que tememos e queremos amar e ser amados. Todo mundo gosta de ler e ver encenados seus temores prediletos.

Todo adolescente tem que enfrentar não só o mundo, nada romântico em nossos dias, aliás, mas também a si mesmo. Tornar-se adulto e lidar com as complicações da vida, dá medo… É difícil despedir-se da infância.

Então, Edward, que será um adolescente para sempre só na aparência, porque vampiro não envelhece, terá que lidar com sexo, quer queira quer não. Como todo adolescente macho, terá que enfrentar o seu medo de falhar, de pegar doenças e encarar o maior de todos os medos: a fêmea poderosa e rival.

Porque se, para um vampiro, a melhor penetração é na jugular da vítima, Bella é humana e quer tornar-se mulher. A voz da natureza clama dentro dela e sua sexualidade impõe uma decisão. Edward vai ter que casar-se com ela.

Se ficasse só nisso, virgens os dois…

Mas quando surge um bebê, os dois terão que encarar os medos que envolvem a gravidez e o parto, tão antigos quanto a história da humanidade, porque a morte ronda. E pode levar a mãe, o bebê ou os dois… E o pai pode não querer ou não poder ajudar a mãe… Muita coisa pode acontecer.

A história de Bella e Edward traz à tona todo esse elenco de medos conscientes somados às terríveis fantasias inconscientes que espreitam no escuro da mente dos seres humanos. E, de um jeito ou de outro, fazem os jovens olhar-se no espelho.

Não podemos esquecer que outro fenômeno de livros e filmes é a saga do bruxinho Harry Potter. Uma história leva à outra, o bruxinho prepara para os vampiros.

Há uma imediata identificação com os heróis que vencem os obstáculos e incentivam seus seguidores a fazer o mesmo.

Não é, então, só por pura diversão que esses livros e filmes fazem tanto sucesso.

Harry Potter ajuda a aguentar as mudanças que ocorrem entre a infância e a adolescência e Bella e Edward vivem na tela os nós que os adolescentes precisam também desfazer para caminhar em direção à maturidade.

Por isso “Amanhecer – Parte Um” enche tantos cinemas.

Se você é ou tem jeito de adolescente vá ver. Pode aprender alguma coisa.