Millenium: Os homens que não amavam as mulheres

"Os homens que não amavam as mulheres", Suécia /Dinamarca/Alemanha, 2009

Direção: Niels Arden Opley

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“Millenium” foi o nome dado por Stieg Larsson , escritor sueco, ao que seria uma série de dez livros. O primeiro volume foi um sucesso de público em todo o mundo, o segundo também. E foi triste ficar sabendo que, aos 50 anos, depois de entregar o terceiro volume ao editor, Larsson morreu de ataque cardíaco em 2004.

“Os homens que não amavam as mulheres” é um filme sueco que acompanha a vida agitada e perigosa do jornalista Mikail Blomkvist que, no início da história, acaba de ser processado por uma reportagem envolvendo uma grande corporação, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, publicada na revista “Millenium” da qual é sócio.
Nesse momento ele é contratado para descobrir o paradeiro de uma mulher, desaparecida há 40 anos quando ela tinha 16 e que seu avô milionário crê que foi assassinada. E por um membro do clã familiar.
O filme, dirigido com eficiência pelo dinamarquês Opley, tem 152 minutos de duração e é bem fiel ao livro.
Quando Blomkvist (Michael Nyquist), um homem maduro mas atraente, vai até a cidadezinha sueca em uma ilha gélida com casinhas brancas pontuando uma paisagem verde pálida e encontra o chefe da família poderosa em sua mansão imponente mas austera, já estamos conquistados pelo mistério.
Mas a entrada em cena de uma garota magra, “piercings”e uma tatuagem de dragão em seu corpo nú esguio, faz o espectador ficar ainda mais atento.
Ela, Lisbeth Salander, (Noomi Rapace) , sempre de preto estilo “punk”, é a melhor coisa do filme. “Hacker”magistral, ela tem memória fotográfica e inteligência rápida. Frágil na aparência, o que a faz parecer indefesa, Lisbeth surpreende com sua pronta capacidade de assegurar a própria sobrevivência, já que conhece todos os truques das artes marciais.
Ela vai ajudar o jornalista no caso do mistério da mulher desaparecida e roubar a cena sempre.
Perversão sexual e ideologia nazista nas altas rodas suecas apimentam a história dessa investigação cheia de suspense e reviravoltas. E não é que os filmes suecos são sempre mais “sexy”?

 

 

Querido John

"Querido John" - "Dear John", Estados Unidos, 2010

Direção: Lasse Halstrom

É cinemão. Mas tem qualidades. Vejamos.
Para começar, o diretor de “Querido John” é Lasse Hallstrom, sueco, que dirigiu um dos mais belos filmes sobre a infância, “Minha vida de cachorro”, em 1985. Esse filme revelou o talento do então jovem diretor para o mundo. Filmado do ponto de vista do garoto, encanta pelo otimismo e esperança.
Outro sucesso do diretor foi “Chocolate”, de 2000, com Juliette Binoche e Johnny Depp, filmado em uma cidadezinha francesa, tendo como prato principal a tolerância entre as pessoas.
Lasse Hallstrom também é o diretor de “Regras da vida”, de 1999, que deu a Michael Caine o Oscar de melhor ator coadjuvante. Aqui outra vez há um foco em aprender a viver e harmonizar-se consigo mesmo e com o mundo.
Dessa vez, em “Querido John”, o diretor sueco filmou um roteiro baseado em um livro de Nicholas Spark e quer mexer com os nossos sentimentos.
Ela, Amanda Seyfried, ele, Channing Tatum. Belos, jovens, apaixonados e separados pela guerra, escrevem cartas de amor.
Concordo. Os tempos são outros. “Querido John” não chega aos pés de “Casablanca”.
Mas, se não formos muito saudosistas e apegados a nossos critérios de cinema sofisticado, esse filme pode mexer também com os mais exigentes.
Porque existe a história paralela de John com seu pai, vivido com sensibilidade pelo ator Richard Jenkins.
Fechado, assustado, metódico mas presente em silêncio na vida do filho sem mãe, esse pai, que a mocinha Savannah percebe como alguém que sofre de um quadro com características autistas, vai emocionar todo mundo em cenas como a do corredor do hospital ou no carro agarrado ao prato de lasanha.
E aí vocês vão ver aparecer claramente o diretor Lasse Hallstrom de corpo inteiro, dirigindo os atores com maestria e extraindo da história o que ela tem de melhor.
Esse personagem do pai doente e sofrido vai marcar a vida de seu filho, o soldado John. Ele também se fecha na guerra.
E Amanda Seyfried, que vive a patricinha Savannah atua com delicadeza e canta com suavidade a canção que ela mesma compôs, “Little house”.
Praias douradas, campos ao luar, a cidade de Charleston na Carolina do Sul, cavalos, crianças louras, surfe e gente bonita. E a cena das moedas caindo sobre John, que se vê como uma delas, já que tão amadas por seu pai.
Se “Querido John” não é tudo aquilo que a gente espera, tem seus momentos de bom cinema.