Sr Sherlock Holmes

“Sr Sherlock Holmes”- “Mr Holmes”, Inglaterra, 2015

Direção: Bill Condon

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Nesse filme inglês sobre o famoso detetive Sherlock Holmes vamos encontrá-lo em 1947, não mais vivendo em Londres mas no campo inglês, perto do mar. Abandonou a profissão há muitos anos, por causa de seu último caso. E há algo misterioso envolvendo tudo isso.

Idoso, já com 92 anos, ele se preocupa com sua memória que está falhando. Está tentando escrever esse seu último caso mas não consegue lembrar-se do que aconteceu. E Watson, que escrevia todos os casos dele, já tinha morrido.

Para tentar melhorar desses sinais de senilidade, ele vai ao Japão atrás de uma planta que dizem ser o remédio que ele precisa. A geleia real já não faz mais efeito, pensa ele.

No encantador chalé de pedra onde mora há um jardim inglês maravilhoso, onde está o apiário que é o hobby do detetive desde que se exilou naquele lugar. Seu ajudante é Roger (Milo Parker), um menino de uns 9 anos, filho da governanta Mrs Munro (Laura Linney).

Roger é órfão de pai e adora o patrão, que é para ele uma imagem paterna. Torna-se seu companheiro no cuidado com as abelhas e vai com ele aos revigorantes banhos num mar azul, abaixo das falésias brancas.

A cada dia o menino lê o que Holmes conseguiu escrever sobre seu caso esquecido e torna-se uma ponte de Holmes com o seu passado. Roger é afetuoso, além de ser inteligente e desperta o lado afetivo do detetive, famoso por sua personalidade fria e analítica, atento aos fatos e desprezando as emoções.

E as memórias voltam. Porque eram lembranças dolorosas reprimidas. Não estavam esquecidas por causa de senilidade ou de demência mas porque mexiam com culpa e com o coração do detetive, que sempre temeu envolver-se com pessoas, principalmente com mulheres.

Filmado em belos cenários com cores primaveris, o filme agrada com esse visual que só mesmo o campo inglês pode oferecer.

Ian McKellen, 79 anos, está perfeito tanto nos flashbacks que mostram um Holmes maduro, que vivia o luto pelo abandono do amigo inseparável, Watson, que ia se casar, quanto como o velho alquebrado que, no contato mais íntimo com Roger e as abelhas, rejuvenesce. E passa a desfrutar da vida que lhe resta e enquanto é tempo ainda.

“Sr Sherlock Holmes” é um filme solar, que vai agradar ao grande público e até mesmo a quem nunca ouviu falar do famoso detetive. Porque é um filme com uma bela lição sobre os benefícios da amizade e do afeto.

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A Festa

“A Festa”- “The Party”, Reino Unido, 2017

Direção: Sally Potter

Um tango e um susto. Uma mulher descabelada, alteradíssima, abre a porta e aponta uma arma para a câmera. Mas o que é isso? Por que nos olha enfurecida?

E, na sequência, quase nos esquecemos dessa abertura tragicômica. Porque uma raposa está no pátio de um apartamento e olha para dentro da sala, onde Bill (Timothy Spall) com os olhos no vazio, bebe algo e ouve música. Será uma alucinação? Bem, estamos na Inglaterra e lá existe caça à raposa. Parece um mau sinal…

Na cozinha, a mulher de Bill, Janet (Kristin Scott Thomas) prepara o jantar, feliz.

O telefone não para de tocar e ela atende agradecendo os elogios. Há uma comemoração. Janet foi nomeada Ministra da Saúde e está recebendo os parabéns dos amigos.

Mas há alguém que liga várias vezes e que ela atende aos sussurros e rindo. Muito sexy. Um caso de amor secreto?

Chegam os convidados, April (Patricia Clarkson) a melhor amiga e Gottfried (Bruno Ganz), azedos um com o outro e logo Tom (Cillian Murphy), que trabalha no mercado financeiro, sem a mulher Marianne, que virá para o café. Ela é assistente de Janet e todos concordam que ela é muito bonita e jovem.

Quando Tom corre para o banheiro, antes mesmo de cumprimentar Janet, percebemos seu nervosismo. E para nosso espanto, cheira cocaína na borda da banheira, sua muito e vemos que ele tem uma arma. Que estranho…

Outras duas convidadas, uma mais moça Jinny (Emily Mortimer) e a professora mais velha Martha (Cherry Jones) saem no pátio para discutir e parece que tem a ver com a gravidez de trigêmeos da mais nova.

Filmado em preto e branco, “A Festa” convida a plateia a prestar atenção nos diálogos e notar como pessoas aparentemente tranquilas perdem a cabeça quando ficam sabendo de certos segredos.

Sally Potter, a diretora de cinema inglesa, escreveu o roteiro com muito humor negro e ridicularizando os personagens, todos se achando inteligentes e civilizados, mas incapazes de lidar com situações nem tão inusitadas assim.

Contar mais é estragar a graça do filme que é uma sucessão de viradas numa montanha russa de acontecimentos inesperados.

Um filme bem inglês, com tiradas engraçadas e quase sempre cínicas. Patricia Clarkson, como a melhor amiga da dona da casa, rouba muitas cenas com suas falas ferinas disparadas a torto e à direito.

E, com outro tango, a cortina se fecha sobre a cena do início, que agora faz mais sentido.

Gostei muito.

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