Cartas para Julieta

“Cartas para Julieta” - “Letters to Juliette”, Estados Unidos, 2010

Direção: Gary Winick

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Você conhece a Toscana? Um dos mais românticos lugares no mundo, com as suas belas paisagens de casario ocre, torres, campos de girassóis, vinhas, estradas com aléias de ciprestes, além de estrelar na novela das 9, está também agora no cinema em “Cartas para Julieta”, a nova comédia romântica que chegou às telas na véspera do Dia dos Namorados.
São cartões postais de Verona (tradicionalmente a terra de Romeu e Julieta), Siena e Nova Iorque com uma história que quer falar de amor verdadeiro.
Filme bobinho? Pode até ser. Mas quando alguém invoca William Shakespeare, o fantasma do bardo inglês inspira sempre algo belo. Nunca é perda total. Foi o que aconteceu com “Cartas para Julieta” que tem um charme que muito filme não tem. O elenco é o segredo.
A Julieta em questão, Amanda Seyfried, lembra a Sandra Dee do velho “Candelabro italiano”(196 ). Ela já foi a filha de Meryl Streep em “Mamma mia!”, a sedutora e perturbada garota de programa em “O preço da traição” e a jovem sulista americana em “Querido John”. É a estrela que sobe.
Nesse filme, Amanda é Sophie, uma jornalista americana principiante que está noiva de Victor (Gael Garcia Bernal de “Diários de motocicleta”), um chef que tem um projeto de abrir um restaurante em Nova Iorque. Os dois não sabem mas vão para Verona com sonhos diferentes : ela quer escrever histórias e encontra um grupo de mulheres que respondem às cartas enviadas para Julieta pelas jovens apaixonadas que visitam Verona e ele fica doido pelos leilões de vinho, queijos e receitas que descobre na Toscana.
Resultado, cada um para o seu lado…
Sem amor, a escritora Sophie descobre um velho bilhete de 1951 no muro onde as jovens deixam cartas para Julieta. E resolve responder. Consegue ser tão convincente que Claire, uma inglêsa agora viúva (Vanessa Redgrave), chega a Verona em busca de seu amor da juventude, Lorenzo. Com ela vem seu neto Charles (Christopher Egan) que tenta odiar Sophie para não amá-la.
Separados por 50 anos, será que Claire e Lorenzo vão se reencontrar e viver felizes para sempre?
Mas a história mais comovente é a que se passou nos bastidores. Para Vanessa Redgrave 2009 tinha sido um ano de perdas trágicas: sua filha, Natasha Richardson, também atriz, morrera em março, vítima de um acidente de ski; seu irmão mais novo, Corin Redgrave, sucumbiu a uma doença em abril e Lynn Redgrave, sua irmã mais nova, atriz ela também, teve um câncer fatal, logo depois.
Aos 76 anos, superando todas essas perdas com coragem, Vanessa Redgrave voltou a trabalhar como atriz aceitando o papel de Claire em “Cartas para Julieta”. Ela está bela, diáfana e comovente como a viúva que redescobre o amor e que ajuda a jornalista Sophie a reencontrar a figura materna e a se tornar mais decidida para enfrentar a vida, com todos os perigos de perda e decepção que ela sempre traz.
É muito especial a cena em que Claire escova os longos cabelos de Sophie enquanto conversa docemente com ela. Cabe às duas atrizes diálogos mudos, olhares cúmplices, toques afetuosos e parceria delicada.
Mas o charme maior de “Cartas para Julieta” está na presença de Vanessa Redgrave e Franco Nero que incarnam esse casal Romeu e Julieta que tem uma segunda chance de amor na vida.
E aqui a realidade supera a ficção. Vanessa Redgrave e o ator italiano Franco Nero se conheceram em 1967 durante as filmagens de “Camelot”. Tiveram um caso de amor e um filho. Mas se separaram. Muitas décadas depois, em 2006, os dois se casam. E em “Cartas para Julieta” fazem o casal que reencontra o verdadeiro amor.
Não é pouca coisa e não é para qualquer um.
Em uma entrevista a Time Magazine, Vanessa Redgrave falou sobre o que pensa sobre o amor verdadeiro:
“O verdadeiro amor é aquele que dura e consegue passar através de muitas coisas, sejam tragédias, brigas ou discórdias. Algumas pessoas encontram o verdadeiro amor e conseguem guardá-lo. No meu caso, o verdadeiro amor vem com o constante aprendizado sobre as pessoas que eu amo, mantendo olhos e ouvidos abertos para elas, cuidando delas. E redescobrindo-as. Sejam amigos, família, crianças ou marido. “
Vale conferir?

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Príncipe da Pérsia – as areias do tempo

"Príncipe da Pérsia; as areias do tempo" - “Prince of Persia; the sands of time”, Estados Unidos, 2010

Direção: Mike Newell

Sabe aquele programa de cineminha com os jovens da família? Como eu tenho filho, escapei de “Sex and the city II” mas fui cair no Principe da Persia”. E, para minha surpresa, me diverti.
É um produto dos estúdios Disney e tem a marca do gênio que o fundou. Quem encantou com “Branca de Neve” (1937) e “Cinderela” (1950 ) toda a geração atual de vovós e vovôs, continua divertindo a garotada do século XXI. Basta lembrar o sucesso de “Piratas do Caribe”.
O roteiro do filme “Principe da Pérsia” foi inspirado por um vídeogame de 2003 que fez muito sucesso. E tem o ritmo frenético de um bom jogo.
Mike Newell, que dirigiu também “Harry Potter e o cálice de fogo” (2005), acertou novamente.
A trama tem reviravoltas e surpresas, cenários mágicos de templos, desertos, cidades subterrâneas e palácios. “Principe da Pérsia” foi filmado nos arredores de Marrakesh, Ouarzazate e Eufoud no Marrocos, além de cenários grandiosos nos estúdios Pinewood na Inglaterra.
Se o gosto de tais cenários é duvidoso para os puristas, funciona bem para quem sabe desligar-se do já conhecido.
É pura fantasia mesmo. E a consagração do estilo neo-barroco que mistura laca chinesa, luminárias árabes, altares de templos hindus e colunas góticas. Uma arquitetura na qual Agra, Cambodja, Istambul e Marrakesh se casam com uma cidade medieval européia.
O figurino segue a mesma mistura e funciona com um toque “kitsch” que enfeita os atores.
A princesa (Gemma Aterton) é linda e sexy mas sabe lutar. Ela é um misto de odalisca e vestal. E o príncipe (Jake Gillenhaal) parece um samurai daqueles novíssimos que pulam e voam porque desafiam e estão acima da lei da gravidade. “Expert” em todas as lutas marciais, consegue até ressuscitar. Vestido como um gladiador romano ou em uma simples túnica e calça, dá sempre um jeito de mostrar o dorso nu e malhado.
Na história tem um tio malvado (Ben Kingsley), que já foi Gandhi, vestido num mix de imperador chinês e chefe mongol, que persegue o príncipe Dastan, órfão adotado pelo rei que foi assassinado. Acusam o príncipe por esse crime e ele tem que se defender. Inclusive dos dois irmãos que são filhos legítimos.
Bonitão de sorriso matreiro, o outro mocinho de “O segredo de Brokeback Mountain” (2005 ) vai se unir à princesa para defender o mundo da destruição e, claro, derrete também o coração de Tamina.

Em meio a fugas pelos telhados e corridas de avestruzes, o tempo passa e a gente segue com interesse as correrias do príncipe e da princesa que encontram um malfeitor a cada quinze minutos e conseguem se safar sem nenhum arranhão.
Os efeitos especiais servem ao desenrolar da narrativa, são bem feitos e bem colocados.
Se você quiser acompanhar gente jovem ao cinema, sugira “Principe da Pérsia”. Todos vão gostar.

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