Tudo por Justiça

“Tudo por Justiça”- “Out of the Furnace”, Estados Unidos/Reino Unido, 2013

Direção: Scott Cooper

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Existe uma violência no ser humano que pode explodir quando menos se espera. Geralmente há um bom motivo mas outras vêzes não.

A cena inicial de “Tudo por Justiça” é exemplar nesse sentido. Do nada, um sujeito usa de uma violência gratuita e covarde para agredir uma mulher que está com ele num drive-in e depois se volta contra quem quer defendê-la. Bate muito em um homem que cai sem vida e ameaça os outros que poderiam querer comprar essa briga.

Esse personagem assustador (Woody Harrelson) vai reaparecer no final da trama e vai levar um bom homem à violência por vingança.

Mas “Tudo por Justiça” é também um filme sobre o amor fraterno. Russell (Christian Bale, ótimo) é o irmão mais velho de Rodney (Casey Affleck, muito bom também) e, apesar dos dois serem muito diferentes, se adoram.

Vivem numa cidadezinha da Pensilvânia que tem uma metalúrgica. O pai deles trabalhou lá, assim como seu próprio pai e agora está muito doente. Russell segue o mesmo ofício e Rodney é soldado, convocado várias vêzes para a guerra do Iraque. Parece que isso deixou marcas profundas nele.

Russell leva uma vida dura mas tem o amor de Lena (Zoe Saldanha). Os dois estão felizes mas ela sonha com um bebê.Ora, o salário de Russell é pouco e ele tem que sustentar o pai e o irmão, que não trabalha e vive metido em encrencas por causa de dívidas.

Willem Dafoe faz, com brilho,o agiota que tenta demovê-lo de se meter em encrencas ainda piores, já que Rodney insiste em ser lutador em brigas ilícitas, com final arranjado.

Questionado pelo irmão mais velho, o mais moço sempre encontra no fato de ter visto os horrores de uma guerra, a desculpa para não trabalhar. Algo ruim cresceu lá dentro dele e o faz prisioneiro de um destino cruel.

Preocupado e por isso distraido, numa noite, Russell bate num carro que ele não viu, saindo de uma estrada lateral. Assustado e nervoso, sai correndo e tenta ajudar as pessoas do outro carro. Horrorizado, vê que uma criança está morta.

O diretor e co-roteirista Scott Cooper conta bem sua história. Não se perde em explicações mas usa o talento de seus atores (mesmo Forest Whitaker e Sam Shepard em pontas), para mostrar a personalidade e o destino provável de cada um.

Leonardo DiCaprio e Ridley Scott produziram o filme, apostando assim no talento do diretor Scott Cooper, que já nos deu “Coração Louco”2010.

“Tudo por Justiça”, seu segundo longa, tem um elenco de peso e uma história comovente.

Fiquem atentos porque há uma cena final inesperada e importante. Não saiam correndo do cinema.

Aliás, a música “Release” da banda Pearl Jam é cantada no início do filme com tristeza e no final com desespero. Vale ouvir toda ela durante os créditos finais. Uma beleza.

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Refém da Paixão

“Refém da Paixão”- “Labor Day”, Estados Unidos, 2013

Direção: Jason Reitman

Um bom romance com toques de intensa sensualidade é o que vamos ver em “Refém da Paixão”. Se você gosta, vai deleitar-se. Se tem horror, acha açucarado, evite.

A narração da história, baseada no livro de Joyce Mainard, “O Fim do Verão”, editado pela Record por aqui, é feita por um homem (Tobey Maguire) que relembra o que aconteceu no feriado de “labor day”, título original do filme.

Ele era um menino (Gaflin Griffith) em 1987 e, na quinta feira que antecede o feriado, insiste com a mãe (Kate Winslet, indicada ao Globo de Ouro pelo papel), para ir com ele ao supermercado.

Fazia calor, era setembro e as aulas iriam recomeçar logo depois do fim de semana prolongado pelo feriado.

Mãe e filho moravam numa casa que precisava de reparos e pintura. O jardim mal cuidado, era outro sinal de que ninguém ali se ocupava com o serviço que, normalmente, um homem faz.

O pai (Clark Gregg) fazia falta naquela casa. A separação deixara mãe e filho órfãos.

Adele, mãe de Henry, estava claramente deprimida. Despenteada, pálida, sem um pingo de maquiagem, ela raramente saia de casa.

Por isso, quando ela aceita ir ao supermercado com o filho (inclusive porque notara que ele precisava de roupas novas já que tinha crescido, sem ela perceber), Henry sente-se aliviado. Afinal, ele, que tenta cuidar da mãe, vê com preocupação seu ar desnorteado e o desmazelo. Nega-se, inclusive, a ir morar com o pai e a nova família dele:

“- Preciso cuidar dela, pai. Acho que ela está pior…”

Mas, naquele dia, a ida ao supermercado não ia ser como das outras vezes.

Henry olha as revistas femininas expostas, enquanto a mãe se ocupa com as roupas novas para ele. Um título chama sua atenção: “O que os homens precisam saber”. Mas, a presença de uma mulher faz com que encolha a mão que ia pegar a revista.

Ainda envergonhado, é surpreendido pela presença de um homem sangrando:

“- Preciso de ajuda. Será que ela me daria uma carona?”, diz o homem apontando para a mãe de Henry.

“- É minha mãe, Adele.”

Os dois vão até ela:

“- Mãe, este é Frank, precisa de ajuda.”

“- Não vou perturbar. Você vai ter que me ajudar”, e Frank segura com força o pescoço do menino.

Adele, assustada e atrapalhada, leva o homem para sua casa.

“- Não vou mentir. Pulei do segundo andar do hospital onde operaram o meu apêndice. Eu fugi da prisão.”

E aquele homem alto, bonito, forte (Josh Brolin) vai mudar a vida do menino e sua mãe.

Adele vai soltar-se nos braços daquele homem que a faz vibrar com o mero toque de suas mãos.

E Henry vai aproveitar de uma presença masculina na sua vida. Conversas, jogos, cumplicidade e as tardes na cozinha, onde aprendem a cozinhar com Frank, serão para sempre lembradas.

O diretor e roteirista Jason Reitman faz um bom trabalho com Kate Winslet, atriz talentosa e sensível. Ela e Josh Brolin passam para a plateia uma química inegável.

Mas, espera-se mais de quem tem no currículo “Obrigado por fumar” 2005, “Juno” 2007, “Amor sem Escalas” 2009.

Falta algo em “Refém da Paixão”. Talvez ritmo. E os “flashbacks” sobre o passado do fugitivo são dispensáveis. Caberiam num diálogo, já que não provocam o suspense imaginado.

O filme é bom para quem não é muito exigente e é romântico.

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