Emily em Paris

“Emily em Paris”- “Emily em Paris”, Estados Unidos, 2020

Direção: Direção: Andrew Fleming, Zoe R. Cassavetes e Peter Lauer

Oferecimento Arezzo

Para os apaixonados pela “Cidade Luz”, “Emily em Paris” é um espetáculo que enche os olhos.  Todos os lugares mais famosos estão lá numa fotografia límpida e bela. Pena que passam depressa demais. E vemos o Sena, o Louvre, o Grand Véfour, o Plaza Athenée, os jardins de Luxemburgo, o Café Flore, o Arco do Triunfo e o Champs Elysée, Place Vendôme, Place des Voges, e a Tour Eiffel. É um passeio delicioso. Sem falar nas ruazinhas do Quartier Latin, onde Emily vai viver num edifício antigo, sem elevador mas com uma janela que abre para uma vista fotogênica.

Este é um dos motivos que explicam porque você vai gostar dessa nova série da Netflix em 10 episódios. Tem mais.

O desfile dos modelitos que Emily desfila em cada cena são de Patricia Field, um ícone da moda americana, e ela usa todo tipo de roupa que podemos imaginar. Engraçadinhos, coloridos, abusando de uma combinação de cores original. Brega? Surpreendentes. É uma das diversões do filme vasculhar tudo que Emily veste, sem repetir um só acessório.

Quem já viu filmes de Audrey Hepburn em Paris (“Cinderela em Paris”,”Charada”,”Quando Paris Alucina”) percebe que há uma intenção de repaginar o estilo. Mas Hubert de Givenchy, amigo de Audrey e seu estilista de “haute couture”, tinha um estilo incomparável que Audrey vestia como só ela sabia. Fazer o quê? Eram pessoas únicas das quais a gente se lembra a vida toda quando pensa em moda e cinema. O único vestido que realmente homenageia claramente Audrey e Givenchy é o preto que ela usa no Opera. O “look” ficou perfeito, finalizado pelo cabelo e o fio de strass.

A história do filme tem altos e baixos. E o roteiro abusa dos clichês sobre franceses e americanos. Assim, os parisienses são mal humorados, não gostam de turistas, riem das roupas que eles usam e de suas tentativas canhestras de falar francês além de ser pueris, sem noção de cultura e tradição. Que dirá da educação.

Quanto aos americanos são pragmáticos mas nada entendem do mundo fora o próprio quarteirão onde habitam, falam alto demais, são otimistas inocentes e pouco profundos.

Concordo com alguns deles.

Tudo isso vamos seguindo com Emily, que está em Paris para dar uma visão americana sobre o funcionamento de uma agência de publicidade. Ela caiu do céu nesse lugar e está felicíssima já que seu sonho sempre foi conhecer Paris. Larga o namorado em Chicago e parte para suas aventuras.

Emily e sua patroa, a dona da agência, Sylvie (Phillippine Leroy Beaulieu) vivem às turras. Sylvie não suporta o jeito infantiI e criativo de Emily, que consegue vencer barreiras intransponíveis de mal humor francês. E o que mais irrita Sylvie é a maneira como Emily agrada aos homens franceses com sua falta de malicia e bom humor. São muitos os que se encantam com ela, mas um em especial, Gabriel (Lucas Bravo) parece que vai conquistar a nossa americana em Paris.

O elenco aproveita as deixas para aparecer também e Lily Collins é uma graça e faz uma Emily esperta, um pouco sonsa e com muito charme. A série certamente terá novas temporadas e vai agradar ao público feminino.

Eu maratonei fácil.

Ler Mais

Enola Holmes

“Enola Holmes”- Idem, Inglaterra, 2020

Direção: Harry Bradbeer

Quase todo mundo já ouviu falar de Sherlock Holmes. O detetive que tem uma mente brilhante, imaginado pelo escritor inglês Sir Arthur Conan Doyle. Ele decifra enigmas prestando atenção em detalhes que passam desapercebidos aos outros e são a chave para a descoberta de criminosos. Mas é a primeira vez que conhecemos sua irmã caçula, Enola Holmes (Millie Bobby Brown).

A história é narrada por ela mesma. Ficamos sabendo que, em 1884, quando Enola completou 16 anos, sua mãe Eudora Holmes (Helena Bonham Carter) desapareceu misteriosamente.

Os irmãos Sherlock (Henry Carvill) e Mycroft (Sam Claflin), que já tinham deixado a casa da família há muito tempo, só voltam porque a irmã ficou só. Mas não pensem, como os irmãos mais velhos, que ela é uma coitadinha desprotegida. Na verdade, a mãe passara esse tempo com a filha ensinando-lhe artes marciais, estratégias do xadrez, jogos de palavras e principalmente a ser dona do próprio nariz. Cultivou também nela o gosto pela cultura, fazendo a filha ler todos os livros da biblioteca da casa.

Não ficamos sabendo como morreu o pai de Enola mas ela declara para a plateia que o adorava, um achado que funciona muito bem na simpatia que a personagem cria logo no início com quem vê o filme.

A encrenca começa com o fato de que ela não era a senhorita que, principalmente, Mycroft pensava que ela fosse. Não sabe bordar, costurar ou cozinhar. Etiqueta social, nem pensar. E ele decide então que a irmã vai para um colégio interno, preparar-se para ocupar um lugar na sociedade inglesa, casar-se e formar uma família.

Sherlock, mais atento, conversando com a irmã, fica admirado com sua inteligência brilhante.

“- Bem, para começar, meu nome com as letras em outra ordem é lido “Alone” (sozinha). “

E ela vai contando para o irmão o que aprendeu com a mãe, usando aquele jeito de falar também conosco. Revira os olhos e dá piscadelas, o que ela faz com muita graça.

E, sem dar a mínima para os planos de Mycroft, foge do colégio e começa sua vida de aventuras à procura da mãe, ao lado de outro garoto que também foge da família, um jovem lorde (Louis Partridge), que Enola decide ajudar a descobrir quem quer assassiná-lo e o porquê.

O filme acena para um tema mais amplo que é a modificação dos costumes que acontece no final da era vitoriana e no espaço que as mulheres, feministas corajosas, lutam para conquistar.

“Enola Holmes” é a adaptação do primeiro livro de uma série de seis, escritos pela americana Nancy Springer.

O filme é produzido ela própria Milie Bobby Brown, perfeita no papel e na história que agrada não só a plateias adolescentes mas a adultos que gostam do gênero “quem é o assassino”.

Divertido, bem produzido e com um elenco competente o filme merece ser visto. E pode ter continuação porque deixa alguns elos soltos, de propósito, claro.

Ler Mais