Tudo que desejamos

“Tudo que desejamos”- “Toutes nos envies”, França, 2011

Direção: Philippe Lioret

Uma cena comum. Crianças pequenas em torno à mesa. O pai serve o filho menor. A mãe chega e senta-se com eles. O casal é muito jovem.

Estranhamente, aparece uma data no alto da tela: 13 de setembro, Lyon.

“_ Estou morta… Passei o dia inteiro julgando casos de curatela…”

“- Podemos ter um cachorro, mamãe?” pergunta a filha mais velha.

“- Vamos ver”, responde com o belo rosto pálido.

No dia seguinte, pega as crianças no colégio e a mãe de uma coleguinha da filha vem devolver algo:

“- Sou a mãe de Léa, Céline. Você mandou 12 euros pelo passeio. Não precisa”, diz sorrindo a moça devolvendo o dinheiro.

“- Mãe! Léa pode dormir lá em casa?”

As mães se olham com simpatia e combinam os arranjos para Léa ir dormir na casa de Claire, a juíza.

Por uma coincidência, no dia seguinte, ela (Marie Gillain) se depara com Céline (Amande Dewasmes) no tribunal que preside. Ela está sendo processada por dívidas a uma financeira.

As duas se olham embaraçadas mas a juíza retoma o seu papel e se inteira dos pormenores. A dívida de 440 euros por mês, consome quase todo o salário de 610 euros da mãe de Léa.

Parece um caso sem solução como tantos outros, como a juíza vem a saber mais tarde, através de um juiz mais velho que ela (Vincent Lindon).

Na tela nova data: 18 de setembro, Valence.

Claire está no médico. De chofre, fica sabendo que tem um tumor maligno no cérebro, que não pode ser operado por causa da localização.

Outro médico lhe diz que terá que fazer um tratamento com quimio e radioterapia.

Quantos dias ainda nos restam para viver nesse mundo? Não sabemos. E se soubéssemos? Faria alguma diferença?

Claire, depois que a notícia cai com todo o seu peso sobre ela, vai tomar decisões importantes.

Phillipe Loiret, o diretor do filme, gosta de trazer à tela histórias comoventes. É dele o terno “Bem-Vindo(2009), sobre o menino curdo que vem a pé de seu vilarejo destruído pela guerra, para procurar a namorada na Europa.

“Tudo que desejamos”, adaptação do livro “Outras Vidas Além da Minha” de Emanuel Carrère, que conta histórias reais, é um filme sensível sem clima de tragédia.

Mais. Ensina uma lição, certamente difícil de aprender, principalmente porque assim é a natureza humana. Apesar de saber que a morte é certa, agimos como se ela existisse apenas para os outros. Ou num futuro muito longínquo.

Vendo o filme, quantas questões vem à nossa mente…

Precisamos disso. É saudável pensar nessa certeza porque isso pode mudar muitas escolhas em nossas vidas.

Este post tem 9 Comentários

  1. Anna Schvartzman disse:

    Eleonora

    ja fiquei ansiosa para ver o filme especialmente depois do seu comentario.Esse é um tema que me agrada muito .Principalmente para nos conscientizar e refletir

    • Eleonora Rosset disse:

      Anna querida,
      Esse filme vai calar na sua alma. Vc, ser humano especial, vai ter mesmo mt material para pensar depois de ver esse pequeno filme raro!
      Bjs amiga!

  2. astrid disse:

    eleonora, já fiquei emocionada…vc bem imagina o quanto!

    • Eleonora Rosset disse:

      Astrid querida,
      Vc vai gostar desse filme. É raro, humano, tocante.
      A certeza da morte faz a vida valer mais.
      Vc, com toda sua força, é parecida com a juiza do filme. Se na vida fazemos o máximo que podemos, ela nos recompensa com a sensação de plenitude, de que tudo valeu a pena!
      Viva vc Astrid , minha amiga!
      Bjs

  3. Em “Bem Vindo” eu já tinha gostado muito de como sao mostradas as questões humanas e sociais , que continuam muito bem exploradas neste ultimo filme do Lioret.
    Ótimos atores e mais uma boa dica Eleonora !!! E os franceses dominando !!!
    Se puder assista tbm “Polissia” mais um bom frances que trata de abuso infantil !!
    Bacio

    • Eleonora Rosset disse:

      Marcelo querido,
      Acho que temos a mesma queda por filmes franceses.
      Adorei Polissia e vou postar na quinta. Filmão! Bjs

  4. Alice Carta disse:

    Adorei!

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