Touch – (Snerting – Titulo Original)

“Touch”- “Snerting”, Inglaterra, 2024

Direção: Baltasar Kormákur

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Quanto tempo dura a saudade de um amor perdido? Essa auto indagação mexe com muita gente. Apresenta a pergunta: o que aconteceria se aquele relacionamento tivesse continuado?

Alguns fogem da pergunta porque ela suscita tristeza, principalmente se a vida amorosa da pessoa não vai bem.

O título do filme original é “Snerling” na língua da Islandia e foi traduzido como “Touch” no inglês, algo como toque/contato.

Uma história de amor vai ser contada com delicadeza.

As primeiras cenas são vistas de Hiroshima, Japão, depois da bomba atômica lançada pelos americanos. A Segunda Guerra acabara e deixara muitos mortos e feridos.

Em seguida vemos um senhor idoso falando com seu médico. Viúvo, ele é aconselhado a resolver as pendencias da vida dele, Kristófer, que escuta como se lembrando de algo.

Ele tem algo em mente e vai atrás. Estamos em 2020, anos de Covid. A morte ameaça a todos.

O filme vai e vem no tempo mostrando a vida dos personagens.

Kristófer, vivido pelos atores Palmi Kormakur e Egil Olafsson, vai ser visto pela câmara enquanto jovem. Largara a faculdade em Londres no fim dos anos 60 e conseguira emprego num restaurante japonês.

O dono do restaurante simpatizara com o jovem islandês. Ele, por sua vez, sente-se bem com o dono do restaurante e sua jovem filha Miko (Yoko Narahashi), alegre e adorável, vestindo a mini-saia da moda.

A história de um amor que aconteceu 51 anos atrás será contada com idas ao passado buscando lembranças e incentivo para reencontrar esse amor que ainda vive nos corações de Miko e Kristófer.

Nesse reencontro, uma questão importante envolve uma escolha difícil. Mas uma mãe generosa poupa o filho de uma tristeza inútil.

“Touch” é delicado e escolhe uma vida onde a sabedoria  ilumina o amor e evita egoísmos cruéis.

Recomendo aos que gostam de delicadeza.

De olhos bem fechados

“De olhos bem fechados”- “ Eyes wide shut”, Estados Unidos, 1999

Direção: Stanley Kubrick

Esse foi o último filme do diretor Stanley Kubrick. Baseado no livro escrito por Arthur Schinitzler, “Breve Romance de Sonho”-“Traumnovelle”, de 1926.

Nicole Kidman e Tom Cruise, casados na época, fazem o casal Alice e Bill  Harford numa história que tem uma discussão sobre a fidelidade e o casamento. Traz o tema do desejo insatisfeito como inerente à condição humana.

Tragicamente, Kubrick morreu aos 70 anos sem ter lançado o filme.

A cena inicial mostra a bela Nicole Kidman despindo um vestido ao som da famosa Valsa No 2 de Dmitri Shostakovich. A melodia acompanha o casal que vai a uma festa elegante onde paira um convite à sensualidade.

A fotografia e a atuação dos atores levam o público a vivenciar uma experiência de sonho e pesadelo. Enigmas, lacunas e fantasias imaginadas acompanham os personagens. Essas fantasias são atuadas no mundo real e são perigosas. Ou não?

O filme se passa numa cidade de Nova York recriada em estúdio. Há sempre um jogo de luzes e cores que indicam os sentimentos dos personagens. O efeito é interessante levando o público a um clima que não é nem de sonho nem de realidade. Traz à tona o mundo interno sufocante que inunda os personagens.

O roteiro foi escrito pelo diretor e Frederic Raphael e coloca perguntas que não tem respostas. Não é um filme raso. Nem mesmo um típico “triller” de suspense.

O final do filme é ambíguo e deixa dúvida sobre o que se passa no íntimo dos personagens. Há quem diga que Kubrick não teve tempo de terminar o filme como gostaria.

Mas, sem dúvida, enigmático e belo, “De olhos bem fechados” terá sempre um público disposto a mergulhar nas indagações que o diretor propõe.