De olhos bem fechados

“De olhos bem fechados”- “ Eyes wide shut”, Estados Unidos, 1999

Direção: Stanley Kubrick

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Esse foi o último filme do diretor Stanley Kubrick. Baseado no livro escrito por Arthur Schinitzler, “Breve Romance de Sonho”-“Traumnovelle”, de 1926.

Nicole Kidman e Tom Cruise, casados na época, fazem o casal Alice e Bill  Harford numa história que tem uma discussão sobre a fidelidade e o casamento. Traz o tema do desejo insatisfeito como inerente à condição humana.

Tragicamente, Kubrick morreu aos 70 anos sem ter lançado o filme.

A cena inicial mostra a bela Nicole Kidman despindo um vestido ao som da famosa Valsa No 2 de Dmitri Shostakovich. A melodia acompanha o casal que vai a uma festa elegante onde paira um convite à sensualidade.

A fotografia e a atuação dos atores levam o público a vivenciar uma experiência de sonho e pesadelo. Enigmas, lacunas e fantasias imaginadas acompanham os personagens. Essas fantasias são atuadas no mundo real e são perigosas. Ou não?

O filme se passa numa cidade de Nova York recriada em estúdio. Há sempre um jogo de luzes e cores que indicam os sentimentos dos personagens. O efeito é interessante levando o público a um clima que não é nem de sonho nem de realidade. Traz à tona o mundo interno sufocante que inunda os personagens.

O roteiro foi escrito pelo diretor e Frederic Raphael e coloca perguntas que não tem respostas. Não é um filme raso. Nem mesmo um típico “triller” de suspense.

O final do filme é ambíguo e deixa dúvida sobre o que se passa no íntimo dos personagens. Há quem diga que Kubrick não teve tempo de terminar o filme como gostaria.

Mas, sem dúvida, enigmático e belo, “De olhos bem fechados” terá sempre um público disposto a mergulhar nas indagações que o diretor propõe.

Coco antes de Chanel

“Coco antes de Chanel”- “Coco avant Chanel”, França 2009

Direção: Anne Fontaine

Gabrielle apelidada Coco, sobrenome Chanel, não podia imaginar o sucesso que iria viver num futuro não tão distante. Nascida em 1883, em 19 de agosto, na França , em Saumur, ela vai ser reconhecida mundo afora por seu talento na criação de moda feminina.

Ela tinha perdido muito cedo sua mãe, aos 11 anos, e o pai a internara num colégio de freiras. Lá aprendeu a costurar. E logo tornou-se uma costureira talentosa entregando-se  de corpo e alma à essa profissão.

Saida do internato, ela costurava de dia e cantava nos cafés à noite. Primeiro sucesso foram seus chapéus, disputados pelas mulheres da cidadezinha. Depois vieram os terninhos femininos, os vestidos de jersey e as calças para mulheres.

É dela a transformação de vestidos pretos para o luto, em uma peça chamada “pretinho básico” que todas as mulheres precisavam ter em seus armários.

Não se casou, não teve filhos. Muitos eram os boatos sobre sua vida pessoal mas ela os ignorava. Diziam que mantinha relações com soldados alemães nazistas durante a Segunda Guerra mas ela não dava satisfações.

Uma coisa é certa. Ninguém vestia uma mulher como ela. Sem falar dos acessórios, das bolsas de matelassê com correntes, colares de pérolas, sapatos bicolores com pontas pretas e perfumes.

O filme conta a história de Chanel com elegância. Anne Fontaine dirige e Audrey Tautou, ótima como a criadora mais conhecida da moda francesa, tem um elenco competente para apoiá-la.

Hoje essa moda imbatível é vendida em butiques exclusivas e grandes lojas chiques que cobram milhares de dólares para as mulheres desfilarem pelo mundo.

Vale a pena conhecer os lances da história dessa mulher rara.