Foi apenas um sonho

“Foi apenas um sonho”- “Revolutionary Road”, Estados Unidos, 2008

Direção: Sam Mendes

Oferecimento Arezzo

A insatisfação com a própria vida pode levar as pessoas frustradas a sonhar com outro destino. Tudo parece medíocre, tedioso, tão diferente do que se queria viver.

E eis que isso acontece com o jovem casal April (Kate Winslet) e Jack (Leonardo DiCaprio). Vivem numa casinha graciosa no subúrbio de New York, com duas filhas pequenas.

Jack trabalha numa firma que vende computadores e April se ocupa dos afazeres domésticos e espera Jack para o jantar. Sonha com Paris.

Jack também se aborrece com o trabalho nada criativo. Depois de muitas conversas, April convence o marido que eles tem que fugir dessa mediocridade em que vivem.

Paris é agora o sonho dos dois. Pode demorar ainda um pouco mas dia virá.

E a vida vai rolando.

Até um jantar em que ficam conhecendo o filho da corretora de imóveis. Ele vive entrando e saindo do sanatório onde se trata de uma doença mental. Nada sério segundo a mãe.

Mas o tema da viagem dos donos da casa atiça o perturbado rapaz durante o jantar e o clima pesa.

April se identifica com o prisioneiro do sanatório e questiona Jack sobre o porque ainda não largaram tudo e fugiram para viver o sonho em Paris? Qual é o empecilho? Ela vai trabalhar como secretária, que ganham muito bem e ele vai poder procurar o que o atrai.

Eles são livres para mudar de vida e Paris os espera.

Mas nada é certo no destino das pessoas e podem ocorrer mudanças inesperadas que destroem os planos tidos como certos.

Jack recebe a oferta de uma promoção com um bom aumento de salário. E Paris? Jack não pretende abandonar o novo posto e um bom salário por um pulo no escuro. Nada está certo do lado de lá do Atlantico.

O coração de April estremece. E seu sonho?

Aparentemente ela desiste do sonho que se transformou num pesadelo. A fuga para aquela outra realidade sonhada não vai acontecer. Mesmo porque já é tarde demais.

A Escada

“A Escada”-“The staircase”- Mini-série documento de TV 10 episódios 2017-2018, Estados Unidos

Direção: Bryan Gildner

Naquela noite agradável, o casal Mike (Michael Peterson) e Kathlein, resolve acabar seus drinks na beira da piscina. Céu de estrelas, papos, o livro dele fazendo sucesso e virando filme . Depois de um tempo ela resolve subir para dormir e o marido diz que vai já também.

A família deles tem jovens, filhos de cada um do casal e duas garotas adotadas, de um amigo de Michael morto no Vietnã. Todos amam os pais e fazem um grupo bonito na foto. Mas essa felicidade está para acabar.

De repente, o silêncio da noite é cortado por gritos de socorro que se repetem com insistência. O que aconteceu?

Vai levar muito tempo até que se esclareçam as coisas. Não só porque envolve dificuldades de diagnóstico da situação ocorrida mas também por complicações da justiça americana.

“- Minha mulher era tudo para mim” diz o marido com olhos marejados.

Alguém telefonou para a ambulância e para a polícia.

Kathlein jaz numa poça de sangue ao pé da escada.

Os filhos que aparecem e os amigos que a polícia interroga são unânimes em responder que não havia brigas nem agressividade no comportamento do casal.

A pergunta era então: foi um invasor que cometeu tanta atrocidade ou ela teria caído da escada? E, nesse caso, por que não foi acudida prontamente, pergunta a polícia? Mas Michael afirma que ela estava viva quando chegou perto dela, que já estava inconsciente.

Assim começa a história real acontecida nos Estados Unidos que demorou tempo demais para encontrar seu final.

“A Escada” captura nossa atenção porque lida com um sentimento de culpa. Mas onde está o culpado?

Seria o marido amoroso? Só se também fosse um farsante cruel.

E, assim como o estudo patológico dos retratos do corpo da morta deixavam a desejar, dividindo opiniões, havia um segredo que Michael guardava. Quando veio à tona,o preconceito encontrou um motivo. Mas não a razão para um assassinato. A sexualidade de Michael, no entanto, cercada de um preconceito enraizado, erguia as sobrancelhas dos tradicionalistas. Michael não fazia segredo dessa situação para a esposa.

Nos dois julgamentos a defesa acreditava em acidente e a acusação em homicídio doloso. Mas não havia provas.     A fiança de US850.00 foi paga e ele voltou para casa.

No final Michael ficou preso por um crime que não cometeu. Na entrevista final ele vira-se para o público e diz: “Somos todos culpados!”