A Escada

“A Escada”-“The staircase”- Mini-série documento de TV 10 episódios 2017-2018, Estados Unidos

Direção: Bryan Gildner

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Naquela noite agradável, o casal Mike (Michael Peterson) e Kathlein, resolve acabar seus drinks na beira da piscina. Céu de estrelas, papos, o livro dele fazendo sucesso e virando filme . Depois de um tempo ela resolve subir para dormir e o marido diz que vai já também.

A família deles tem jovens, filhos de cada um do casal e duas garotas adotadas, de um amigo de Michael morto no Vietnã. Todos amam os pais e fazem um grupo bonito na foto. Mas essa felicidade está para acabar.

De repente, o silêncio da noite é cortado por gritos de socorro que se repetem com insistência. O que aconteceu?

Vai levar muito tempo até que se esclareçam as coisas. Não só porque envolve dificuldades de diagnóstico da situação ocorrida mas também por complicações da justiça americana.

“- Minha mulher era tudo para mim” diz o marido com olhos marejados.

Alguém telefonou para a ambulância e para a polícia.

Kathlein jaz numa poça de sangue ao pé da escada.

Os filhos que aparecem e os amigos que a polícia interroga são unânimes em responder que não havia brigas nem agressividade no comportamento do casal.

A pergunta era então: foi um invasor que cometeu tanta atrocidade ou ela teria caído da escada? E, nesse caso, por que não foi acudida prontamente, pergunta a polícia? Mas Michael afirma que ela estava viva quando chegou perto dela, que já estava inconsciente.

Assim começa a história real acontecida nos Estados Unidos que demorou tempo demais para encontrar seu final.

“A Escada” captura nossa atenção porque lida com um sentimento de culpa. Mas onde está o culpado?

Seria o marido amoroso? Só se também fosse um farsante cruel.

E, assim como o estudo patológico dos retratos do corpo da morta deixavam a desejar, dividindo opiniões, havia um segredo que Michael guardava. Quando veio à tona,o preconceito encontrou um motivo. Mas não a razão para um assassinato. A sexualidade de Michael, no entanto, cercada de um preconceito enraizado, erguia as sobrancelhas dos tradicionalistas. Michael não fazia segredo dessa situação para a esposa.

Nos dois julgamentos a defesa acreditava em acidente e a acusação em homicídio doloso. Mas não havia provas.     A fiança de US850.00 foi paga e ele voltou para casa.

No final Michael ficou preso por um crime que não cometeu. Na entrevista final ele vira-se para o público e diz: “Somos todos culpados!”

O Bom Doutor

“O Bom Doutor”- “The Good Doctor”, Estados Unidos, 2020

Direção: David Shore

Essa série é um “remake” de um drama coreano que se passa num grande hospital na área de pediatria. A versão americana mudou o cenário para a especialidade de cirurgia geral e neurológicas.

O personagem principal é o jovem Dr Shaun Murphy, residente na equipe de neurologia, que é um autista, com síndrome de “idiot savant”. Lidamos aqui com o espectro autista complexo podendp apresentar vários graus de comprometimento e o “idiot savant”, alguém com deficiências cognitivas ou dificuldades de desenvolvimento mas que apresenta habilidade extraordinária muito específicas em outra área.

Ambas as condições parecem presentes no Dr Shaun.

Mas lembrem-se que se trata de um show de TV. Não queiram que fique com jeito de um texto médico com tudo certinho, de livro. Iria perder a graça.

Com a situação assim montada, podemos imaginar o jeito nada acolhedor com que Shaun é recebido pela equipe. Mas ele é protegido pelo chefe da Neurologia de quem merece toda a confiança.

E quando começam a tratar dos pacientes fica claro que o Dr Aaron Glassman tem razão. O jovem autista faz diagnósticos com rapidez e sem hesitação. Não há o que discutir sobre a competência do jovem recém chegado na equipe. Genial a ideia de colocar na tela desenhos dos caminhos da mente do jovem por dentro do corpo que vai ser diagnosticado corretamente, antes de qualquer um da equipe. O que não colabora para aumentar sua simpatia..

Não só a atuação do ator principal é comovente, como nos faz entrar em contato com os problemas que existem para essas pessoas na questão dos relacionamentos e na luta para conseguir ser respeitado e compreendido. Ainda por cima um autista não tolera ser tocado por ninguém.

Exquisito, e por que não dizer, difícil de chegar perto.

Cada capitulo da história do “Bom Doutor” traz uma reflexão diferente. Além dos problemas médicos, fala da natureza humana e suas dificuldades. Força e fraqueza,vitória e fracasso.

E humor em doses certas.