Harriet

“Harriet”- Idem, Estados Unidos, 2019

Direção: Kasi Lemmons

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A história da vida real de uma mulher corajosa e generosa, além de valente, faz desse drama um filme que toca nossos corações.

A escravidão marcou o nascimento de Harriet , a quinta filha de uma família de escravos que trabalhavam numa fazenda no norte dos Estados Unidos. Aos cinco anos ela já trabalhava na casa de outra fazenda vizinha. Fora alugada para lidar com o serviço da casa.

Nascida Aramita Ross (1822-1913) mudou seu nome para Harriet Tubman, em homenagem à sua mãe, quando casou-se com John Tubman. Mas foi conhecida pelo apelido de Minty a vida toda.

Na adolescência foi atingida na cabeça quando socorria uma pessoa que fugia de um capataz . Ficaram graves sequelas. Fortes dores de cabeça e uma concussão que causou episódios de narcolepsia, com crises de sono profundo durante o dia.

Ao ficar sabendo que iria ser vendida, Harriet tomou a mais importante decisão de sua vida. Iria fugir.

E o filme, dirigido por Kasi Lemmons, vai contar a história fascinante dessa mulher interpretada com talento por Cynthia Erivo.

A fotografia realça as cenas noturnas, assim como as auroras que marcavam a fuga de Harriet. E ela seguia com coragem o seu destino.

Além dos perigos para conseguir salvar mais escravos, correndo riscos para sua própria vida, ela lutou pelo voto feminino, tornando-se uma das mais ativas sufragistas e lutando no exército do sul durante a Gerra da Secessão.

Empenhada na luta antiracista ela tornou-se um ícone dessa causa.

Harriet teve uma vida com muitos desafios e enfrentou todos com coragem e generosidade.

Sua dedicação às causas em que tanto acreditava não será esquecida.

Brick

“Brick”- Idem, Alemanha, 2025

Direção: Philip Koch

Cansada de ver muitos filmes sem atrativos, aceitei dar uma chance a “Brick”. Não me arrependi. Não é nenhuma obra de arte mas me fez lembrar de Bunuel e seu “Anjo Exterminador” de 1962.

O roteiro começa com um casal discutindo se iriam ou não largar tudo e recomeçar a vida em Paris. O marido diz que não é hora de mudar tudo tão precipitadamente, enquanto a mulher não concorda mas aceita, à contra gosto. Ela tinha até já se despedido do emprego.

E o filme toma um rumo que poderia ser visto como o de Bunuel ou sem metáforas. Vai depender de seu grau de apego à realidade ou se você curte mistério e ficção científica. E metáforas psicológicas. Há várias maneiras de ver o filme.

O casal vai acordar no dia seguinte com uma surpresa desagradável, até mesmo assustadora. Portas e janelas que dão para o exterior do prédio onde moram estão barrados por um muro de um material estranho e resistente. Não existe saída. Depois de algumas tentativas mal sucedidas para destruir os tijolos negros, resolvem procurar outro tipo de solução. Vizinhos aparecem de buracos abertos nas paredes internas.

O filme segue nessa toada dependendo da inteligência e da capacidade de resolver enigmas dos personagens.

Claustrofobia, desespero, amor e ódio entre eles fazem daquele grupo de seis pessoas um pequeno mundo fechado. A sobrevivência está em jogo e a solução parece um jogo da morte.

“Brick” não é inesquecível mas é original. Vale a pena ver o filme e seguir essa procura de saída de um problema de difícil solução.

Viver não é fácil.