Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo

“Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo”- “Mamma Mia! Here We Go Again”, Estados Unidos, 2018

Direção: Ol Parker

Oferecimento Arezzo

Não dá para resistir. E lá vamos nós de novo para Skiatós, uma das mais belas ilhas da Grécia, a mais verdejante, para revisitar o hotelzinho de Donna.

Ela morreu. Como? Não ficamos sabendo. E Sophie (Amanda Seyfried) canta “Thank you for the music” enquanto envia convites para a reinauguração do Hotel Bella Donna. Ela quer homenagear a memória de sua mãe (Meryl Streep) com uma festa inesquecível.

E claro que manda convites para seus “pais” Harry (Colin Firth) e Bill (Stellan Skarsgard), porque Sam (Pierce Brosnam), viúvo de Donna, está a seu lado, ajudando no que pode.

Uma dúvida. Convidar ou não a avó Ruby (Cher)?

E o filme faz uma volta no tempo e vai contar a juventude de Donna. Agora na pele e presença adorável de Lilly James (“Cinderela”), que canta e dança lindamente e tem uma graça natural e energia que fazem justiça à personagem que no primeiro filme de 2008 era de Meryl Streep, que fazia a Donna jovem e também a mãe de Sophie.

Então, no passado, depois da formatura, Donna Sheridan quer conhecer o mundo e viver aventuras. Ela formava um trio com as amigas Tanya (Alexia Davis) e Rosie (Jessica Keenan Wynn), as futuras Julie Walters e Christine Baranski, que ficam tristes de perder a amiga para o mundo.

E é naquele verão na Grécia em 1979 que Donna conhece três jovens que vão desempenhar papel importante em sua vida. Vai acabar se casando com um deles, muito tempo depois, como vimos no primeiro filme.

E há um detalhe que só vamos conhecer agora. Porque a mãe de Donna sempre foi distante e a filha aprendeu a viver sozinha. Daí sua história de mãe solteira e o segredo que faz sobre quem seria o pai de Sophie. E não havia teste de paternidade naquela época. Será que a própria Donna saberia quem era o pai de sua filha?

Andy Garcia faz um personagem novo, o gerente do hotel, o mexicano Sr Cienfuegos, que parece ter algo a ver com a avó Ruby. Cher, fatal, recria a canção “Fernando” com emoção. Será ele o pai de Donna?

É pura alegria e fantasia esse novo “ Mamma Mia!”, com direito às antigas canções e também às novas do ABBA, compostas por Benny Andersson e Bjorn Ulvaeus.

O musical que estreou em Londres em 1999 e que punha toda a plateia para dançar e cantar, foi sucesso no mundo todo. E o filme de 2008 está agora no NETFLIX, com resenha no meu blog para quem quiser comparar os dois ou matar as saudades do primeiro.

E preparem-se para a aparição de Meryl Streep no segundo filme e a emoção que ela causa no batizado. Rola uma lágrima.

Mas que logo se transforma em riso com “Super Trouper” durante os créditos finais, com todo o elenco brilhando.

Será que vai vir um terceiro filme?

Sr Sherlock Holmes

“Sr Sherlock Holmes”- “Mr Holmes”, Inglaterra, 2015

Direção: Bill Condon

Nesse filme inglês sobre o famoso detetive Sherlock Holmes vamos encontrá-lo em 1947, não mais vivendo em Londres mas no campo inglês, perto do mar. Abandonou a profissão há muitos anos, por causa de seu último caso. E há algo misterioso envolvendo tudo isso.

Idoso, já com 92 anos, ele se preocupa com sua memória que está falhando. Está tentando escrever esse seu último caso mas não consegue lembrar-se do que aconteceu. E Watson, que escrevia todos os casos dele, já tinha morrido.

Para tentar melhorar desses sinais de senilidade, ele vai ao Japão atrás de uma planta que dizem ser o remédio que ele precisa. A geleia real já não faz mais efeito, pensa ele.

No encantador chalé de pedra onde mora há um jardim inglês maravilhoso, onde está o apiário que é o hobby do detetive desde que se exilou naquele lugar. Seu ajudante é Roger (Milo Parker), um menino de uns 9 anos, filho da governanta Mrs Munro (Laura Linney).

Roger é órfão de pai e adora o patrão, que é para ele uma imagem paterna. Torna-se seu companheiro no cuidado com as abelhas e vai com ele aos revigorantes banhos num mar azul, abaixo das falésias brancas.

A cada dia o menino lê o que Holmes conseguiu escrever sobre seu caso esquecido e torna-se uma ponte de Holmes com o seu passado. Roger é afetuoso, além de ser inteligente e desperta o lado afetivo do detetive, famoso por sua personalidade fria e analítica, atento aos fatos e desprezando as emoções.

E as memórias voltam. Porque eram lembranças dolorosas reprimidas. Não estavam esquecidas por causa de senilidade ou de demência mas porque mexiam com culpa e com o coração do detetive, que sempre temeu envolver-se com pessoas, principalmente com mulheres.

Filmado em belos cenários com cores primaveris, o filme agrada com esse visual que só mesmo o campo inglês pode oferecer.

Ian McKellen, 79 anos, está perfeito tanto nos flashbacks que mostram um Holmes maduro, que vivia o luto pelo abandono do amigo inseparável, Watson, que ia se casar, quanto como o velho alquebrado que, no contato mais íntimo com Roger e as abelhas, rejuvenesce. E passa a desfrutar da vida que lhe resta e enquanto é tempo ainda.

“Sr Sherlock Holmes” é um filme solar, que vai agradar ao grande público e até mesmo a quem nunca ouviu falar do famoso detetive. Porque é um filme com uma bela lição sobre os benefícios da amizade e do afeto.